segunda-feira, 20 de junho de 2016

Bem-aventurada Maria Celeste Crostarosa: rascunhos de espiritualidade.


Vós me fazeis ver que coisa é a vida de minha alma em vós: [...] E minha Alma, deixando qualquer outra ocupação com objeto criado, é atraída por vossa suavidade acima de qualquer coisa exterior ou interior. Tudo deixa por vós e tudo renuncia por vós, até a alguma reflexão razoável que pertença ainda a mim mesma, com o ato que eu chamo de pureza, tudo cede a vós.  (Diálogos  de uma Alma com seu Senhor, Jesus )
Julia Marcela Santa Crostarosa, esse era nome de batismo da atual Beata Madre Celeste Crostarosa. Nasceu no dia 31 de outubro de 1696 na paroquia de São José Maior, na cidade de Nápoles. Filha de Paula Batista Caldari e José Crostarosa, a boa monja pertencia a alta magistratura, porém poucos diriam que, semelhante a Santo Afonso, essa monja deixaria tudo para levar a todos para Cristo, com seu modo de vida contemplativo e sua espiritualidade cristocêntrica. Sua família era de uma profunda vivência religiosa.  E os primeiros passos de sua vida fazem parte de uma experiência intima com Jesus Cristo, e a vivência dessa intimidade.
Na introdução da Autobiografia (Trad. Port. Pe. J. B. Boaventura, p.17) ela escreve na terceira pessoa do singular: “Foi-me ordenado por vontade do Senhor, por quem me pode mandar, que eu escrevesse as misericórdias liberalíssimas feitas por Nosso Senhor Jesus Cristo, por sua só bondade, a uma alma religiosa, chamada por Ele em seu seguimento desde a sua mais tenra idade. [...] Por isso peço e tenho pedido ardentemente ao Senhor, [...], para que eu acerte sua Divina Vontade.” Acertar a Vontade de Deus, é, semelhante a São Geraldo, de modo resumido, toda a intenção, pensamento e ação de Madre Celeste Crostarosa. 
Aos 11 anos Madre Celeste faz a primeira confissão, na Igreja de Santo Tomás de Aquino, e promete dar-se toda a Deus. Orientada pelo seu confessor, um padre dominicano, começou a praticar a oração mental pela leitura das meditações da São Pedro Alcântara, intituladas de Alimento da Alma. Sua vida de oração, ao contrário do método comumente praticado pelo Bispo Falcoia, não estava apoiada na meditação e prática formais das virtudes. Pelo contrário, sua espiritualidade, sua vida de oração, estava apoiada na sua interioridade com Deus, num Deus que fala ao seu coração e pelas Sagradas Escrituras, na Eucaristia, em seu interior, pela comunidade e nos sinais dos tempos. E o resultado desta unidade e intimidade, que ela descreve tão detalhadamente no Diálogos da Alma, está ligada a uma encarnação de vida prática, das obras e ensinamentos realizados por Cristo.
Na vida religiosa, a Crostarosa entra no Carmelo de Marigliano e, por conseguinte, no mosteiro da Visitação em Scala. Neste ela recebe uma revelação divina para fundação de um instituto religioso: “No dia das Rogações do ano de 1729 no mês de abril, indo comungar a referida religiosa, se fez na sua alma, de novo, aquela transmutação de seu ser no de Nosso Senhor Jesus Cristo. (...) Então lhe foi dado a entender um novo Instituto que o Senhor colocaria no mundo por meio dela. E que Nele e na sua Vida, se encerravam todas as leis de seu viver e sua regra” (Ibidem, p. 61). Deste modo Madre Celeste se torna a fundadora da Ordem do Santíssimo Salvador, posteriormente, modificada pelo nome de Ordem do Santíssimo Redentor.
A fundação do Instituto não foi fácil. Inclusive a própria monja se questionou acerca da verdade da revelação divina e da concretização da vontade de Deus nesse Instituto. A confirmação desta obra se fez na sua abertura, entrega e confiança total ao projeto de Deus. A espiritualidade e proposta religiosa crostarosiana tinha uma orientação precisa: ser uma viva memória de Jesus e isso exige a plena transformação em Cristo. Desse modo Deus fala ao coração de Madre Celeste, nas Spicilegium Historicum:
Imprimi, portanto, em vosso espírito a sua vida e a verdadeira semelhança de sua imitação e sede na terra, vivos retratos animados de meu dileto Filho, sendo somente ele vosso chefe, o vosso princípio... A vossa vida será regulada pela verdade por ele ensinada nos santos Evangelhos, nos quais estão escondidos todos os tesouros do céu, a fonte da vida (C. Ss.R. 16 (1968). 18).
É pela vontade de Deus que Madre Celeste se tornou a fundadora da Ordem do Santíssimo Salvador e a Inspiradora da Congregação do Santíssimo Redentor. Essa inspiração costrarosiana está até hoje inserida nas nossas constituições, assim como no nosso modo de vida apostólico. Assim como o filho de Deus veio ao mundo por intermédio de Maria, foi pela presença de Madre Celeste Crostarosa que a Congregação do Santíssimo Redentor teve origem. Uma coisa que não podemos descartar nessa fundação masculina e de modo geral é o aspecto trinitário (Crostarosa-Geraldo-Afonso) por onde se apresenta parte do caráter espiritual-carismático-missionário da Congregação dos Redentoristas. Que a bem-aventurada Maria Celeste Crostarosa interceda por nós, Redentoristas, para vivermos o nosso carisma fundacional com empenho, zelo, dedicação e serviço, na promoção do Reino.


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