sábado, 4 de março de 2017

Os Conselhos Evangélicos nas Constituições Redentoristas: um processo contínuo de profecia até a Contemporaneidade.


Não tem como falar da força revolucionária atual dos conselhos evangélicos (castidade-pobreza-obediência) na Congregação Redentorista, sem nos atermos aos processos históricos, culturais e religiosos que tais conselhos tiveram desde sua origem na Igreja. Por isso, de antemão, votemo-nos as proximidades do século IV (após os primeiros mártires cristãos e a institucionalização do cristianismo), quando as virgens escolhiam uma vida de total entrega a Deus, e o monacato dava seus primeiros passos de gestação, numa tentativa radical e decisiva de realizar a vontade de Deus-absoluto e estar nessa comunhão com o mesmo. É nesses dois momentos que nos deparamos com as primeiras fundações e configurações dos votos religiosos, sendo que as virgens apresentavam como ponto forte de sua profecia “a castidade”, enquanto os primeiros monges, senobitas ou da ordem de São Bento, tinham como mais relevante “a obediência” para realizar o que Deus queria e seguir "cegamente a autoridade” de seu mestre-fundador- e pastor, uma vez que este era considerado como "porta vós de Deus".

Para um mundo religioso que ainda estava em construção os votos evangélicos tiveram conotações diversificadas de acordo com cada mosteiro, ordem religiosa e opção radical de vida consagrada. Nesses primeiros séculos os votos religiosos foram não tão “perfeitos”, mas, sobretudo, como afirmou os padres do deserto, um profundo desejo de entrega a Deus, num caminho continuo de conversão. Ora, é no século XII, com a ascensão burguesa-comercial, que surge a figura de São Francisco e as Ordens Mendicantes, dando destaque profético para a “pobreza literal” e para a crítica ao capitalismo comercial. Essa postura, apesar de importante, não acompanhou, com a mesma força originária, a história humana religiosa. 

Com o período patrístico encontramos o respaldo e influência “do voto da castidade” em Agostinho e as Ordens Monásticas, e uma visão de retração afetiva e um dualista entre corpo e alma, que perdurou até o Concílio Vaticano II. Nesse percurso patrístico o desprezo pelo corpo e a continência sexual tinha sua sustentação e validade por diversos mecanismos de contensão, como as práticas da disciplina, ascese, mortificação e flagelação do corpo.

No período escolástico os conselhos evangélicos ganharam uma significativa teologia fundamentada com instrumentos filosóficos e ontológicos, revestindo-se de caráter doutrinal e lógico. Nesse período os votos são visto como meios para a “perfeição” no seguimento radical de Jesus Cristo. Porém é na Modernidade que tais votos começaram a ser colocados em questão critica com toda a relevância de sua radicalidade profética. No período de transição moderna tais conselhos ainda seguiam a sua concepção histórica tradicional, formal, onde a coisa mais importante era “cumprir os votos” de acordo com “cada regra de vida religiosa”. Por conta disso muitos religiosos se tornaram santos, muitos sofreram inigualavelmente, muitos morreram bem cedo, enquanto outros, em posição extrema, nos porões do anonimato, não davam importâncias para tais coisas, e viviam como bem queriam.

É nesse período de transição, do Renascimento italiano para Modernidade (séc. XVII para o séc XVIII) que, em 1732, Santo Afonso funda a Congregação Redentorista, denominada pelo nome de Santíssimo Salvador, mas que, no decorrer da história, assumiu as feições próprias e titulares de uma Congregação Missionária Redentorista. Ora no período afonsiano os votos religiosos seguiam a radicalidade da tradição, isto é, era marcado pela continência sexual, pelas formas ascéticas de mortificação, pela dilaceração do corpo, por uma “obediência cega” ao superior e por uma pobreza em todos os níveis da existência. Evidentemente que havia as exceções anônimas na Igreja que não seguiam tais orientações, como ainda hoje acontece, porém, na Congregação afonsiana os conselhos evangélicos assumiram algumas particularidades significativas que se desenvolveram no decorrer da história até os tempos atuais.  

É no âmbito redentorista que os conselhos evangélicos tiveram um caráter teológico e cristológico muito forte. A vida de oração era a base para tais votos, tanto que Afonso chegou a praticar 8 horas diárias de oração. E não só ele, mas todos os santos e beatos redentoristas cultivaram essa prática como sustento e sentido vital para os votos religiosos. A obediência tinha por meio a fidelidade não só ao superior, mas primeiramente a Jesus Cristo e a missão confiada a Congregação. Era nesse sentido que a obediência estava orientada para uma abnegação de si mesmo, a fim de levar aos outros, os mais abandonados, a boa- nova de Cristo. Assim não se fazia a obediência, mas se seguia, isto é, se "continuava o Cristo" obediente, indo ao encontro dos cabreiros e excluídos de Nápoles.

No campo da castidade é possível perceber que, provavelmente sem saber, Afonso assentou a razão fundamental do carisma da Congregação: o amor por Jesus Cristo e o amor especial pelos prediletos de Jesus, os últimos, os excluídos, os pobres. Em poucas palavras podemos encontrar o sinal mais forte da castidade, que perpassou a razão de ser dos missionários: a redenção, a salvação da humanidade, uma paixão sem limites pelo homem. Era essa linha que orientou e ainda hoje orienta  a castidade redentorista.  

No campo da pobreza Afonso deu um salto qualitativo e inovador, pois tal voto nunca foi um não ter nada material, mas algo bem mais profundo: um desapego existencial (da família, dos amigos, dos bens, de si mesmo). Evidentemente que o básico se tinha para viver, conforme a mentalidade da época, porém quanto mais se desapegasse dos bens materiais e dos apegos afetivos, em função de Jesus Cristo, da missão, muitos mais os missionários eram livres e autênticos Redentoristas. Poderíamos dizer que este voto ganham a sua máxima expressão numa simples palavra: distacco! É tão impressionante a visão de Afonso para o seu tempo, porque ele observou uma coisa inaudita nos votos evangélicos: a busca constante e persistente do Eterno. Por isso que adjunto aos três votos ele acrescentou um, “o voto da perseverança”, isto é, morrer na Congregação, realizar algo em vista da Eternidade. Realizar um passo que não teria mais como voltar. Por isso é que ele dizia que “quem quiser entrar para Congregação Redentorista, deve entrar para ser santo”. Uma decisão que não tem um meio termo. É deste modo que os conselhos evangélicos vão perpassando a própria identidade redentorista.

Com o prosseguir do Concílio Vaticano II, os votos tiveram uma revolução significativa. Se antes do Concílio os conselhos evangélicos estiveram atrelados a “prática minuciosa da regra”, no decorrer do pós-concílio aconteceu uma abertura para a vivencia de qualidade dos votos, sem tantas e minuciosas regras, muitas vezes desnecessárias. Se na Congregação Redentorista, em 1936, as orientações redacionais e instrutiva sobre o votos possuíam um total exaustivo de 56 páginas, em 1965 tais votos eram tratados sinteticamente em 9 páginas. Dos aspectos minuciosos e sem sentido, se passou para os aspectos essenciais acentuados. No voto da pobreza, a Congregação promovia a sustentabilidade dos membros, de tal modo que eles vivessem “uma vida perfeitamente comum”, sem “distinções ”, todos os bens de atividade  missionária e apostólica não deviam denotar vaidade, mas um modo simples de viver. Quanto ao aspecto da castidade, esta tinha uma fundamentação espiritual em vista do bom êxito do trabalho apostólico, “sendo uma virtude tão agradável ao Filho de Deus e tão necessária ao operário evangélico”.  Em relação a obediência, as Constituições e Estatutos eram a "lei" que deveria ser cumprida, todavia, havia a possibilidade de dispensa de tais regras de acordo com a necessidade e as circunstâncias, desde de que houvesse uma razão plausível para tal dispensa e sob a orientação de um superior.

Segundo as Constituizoni e Statuti Della Congregazione del Ss. Redentore, em 1969, fala sobre os votos evangélicos, este é “uma resposta de amor”, uma busca pelo “dom total de si”. Pela castidade o redentorista, “consagrado ao mesmo mistério” de Cristo, “dedica-se... a Deus a Missão de Cristo” para “servir o próximo com coração grande”. Assim, vemos os novos caminhos que a castidade deveria seguir e amadurecer. Em relação a pobreza,  os redentoristas abraçaram "voluntariamente a pobreza de Cristo". Inspirados nos apóstolos de Jesus, que viviam a fraternidade, os redentoristas partilhavam os bens em “comum para utilidade de todos”. Também neste sentido, a pobreza evangélica tinha em consideração a situação dos destinatários da missão, os pobres. Por isso a pobreza era um sinal de esperança de uma vida humana e fraterna. Quanto a obediência, todos, desde os superiores até os seus subordinados, deveriam servir a Deus e a comunidade com responsabilidade e solicitude, e no serviço apostólico e missionário, dentro do devido diálogo. As Constituições de 83 apresenta uma abertura maior da vivencia dos votos conforme as diversas circunstâncias e situações de cada região, província e vice província. Na radicalidade dos votos os pobres, a missão e o carisma da Congregação são levados em conta. Uma maior solidariedade evangélica perdura, a tal ponto dos redentoristas se integrarem com as causas dos pobres e lutarem pela dignidade humana deles.  


Por fim, temos as Constituições e Estatutos de 2004, ai encontramos mudanças significativas quanto aos votos religiosos. O voto de castidade mantem o seu viés de auxílio da graça de Deus e ação intercessora de Maria, nossa mãe do Perpétuo Socorro. Enquanto que o voto de pobreza nos abre um leque profético missionário atual. Onde a prioridade é “colocar em comum todos os bens” e “uma aguda sensibilidade face à pobreza do mundo e aos graves problemas sociais”. “Toda a espécie de pobreza- material, moral, espiritual- deve solicitar seu zelo apostólico”. Em casos particulares é possível participar das penúrias dos pobres. O testemunho e solidariedade com os mais pobres é a meta constante do voto de pobreza. Quanto a prática da obediência, a proposta se destina ao corpo missionário para “continuar a missão da Congregação, segundo a diversidade de lugares”. Quanto ao potencial e dons da diversidade redentorista, se promove o estímulo dos dons para o serviço redentorista em vista do carisma congregacional e da essência misericórdia divina, a caridade.

Portanto, conforme a história se segue e conforme a Congregação se abre para as investidas do Espírito, mais ela se aprofunda e se descobre sobre a importância e valor dos votos evangélicos. Eles não só possuem um caráter espiritual, e isso é de fundamental importância, mas também uma força transformadora, social, cultural, político, redentora e plena na vida do Redentorista e na vida das pessoas, em especial, os pobres e abandonados. Os votos não se reduzem a práticas fechadas, mas envolvem a razão de ser redentorista e a qualidade de sua missão. Pois não tem como pensar em conselhos evangélicos tridimensional sem uma integração com a própria existência da Congregação Redentorista e o seu desafio profético nos tempos atuais. Atualmente podemos dizer que tais votos se desdobram em três ações que os dois últimos capítulos tentam implementar: a) a restruturação para a missão, que implica uma abertura e obediência frente aos novos desafios que se segue com a evangelização e promoção humana, b) a solidariedade internacional, de pessoas e bens, para a realização do projeto redentor (pobreza-distacco), e c) uma conversão interior para identidade e fidelidade carismática missionária redentorista (castidade).




terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Redentores das mais abandonas: percurso e reflexões sobre a prostituição.


            Apesar da temática “prostituição” não ser tão refletida, explanada e amadurecida na sociedade atual, ela não esteve desvinculada das preocupações evangélico-missionária da Igreja em seus diversos períodos histórico-culturais. Todavia a presente reflexão se limita em observar essa questão a partir do período patrístico-medieval, e, também especificadamente, o da Modernidade no século XIII. Esses dois períodos são contributos importantes para posteriormente delinearmos como se deu, nas suas variações, causas e desafios, a compreensão e posição pastoral eclesiológica sobre a questão da prostituição na sua problemática social, assim como para olharmos os novos desafios que apresentam tal questão na Contemporaneidade.

          Quanto ao primeiro período é notório, na figura de dois Santos, isto é, Santo Agostinho e Santo Tomas, a postura eclesiológica tradicional de “tolerância” para com a realidade da prostituição. Segundo o Redentorista Pe. Dalton Barros de Almeida comenta: “A tradição ‘tolerante’ de Santo Agostinho e de Santo Tomás apresenta a prostituição como um mal menor, como o desaguar das águas sujas das casas” (ALMEIDA, CADERNO AV-20, ?, p. 19 )(Grifo nosso). Assim, a “tolerância” da prostituição se fundamentava pelo medo da corrupção e da desordem social-civilizatória. Isto é, que se não houvesse espaços e pessoas para a deliberação de atos libidinosos-sexuais e sensuais antes e extraconjugais, as mulheres integras, de família, perderiam a sua honra e integridade moral. Neste sentido, também se tinha o medo da desordem sexual como o incestos e outras atividades sexuais anormais. Isso justificou a “tolerância” para com a prostituição e sua atribuição como um “mal necessário”.

            Todavia, como nos esclarece o Redentorista Historiador-Teólogo Jean Carlos Lima da Silva, na sua monografia “A ETERNA FACE DO FEMINISMO: ANÁLISE HISTÓRICA-BÍBLICA-MORAL DA PROSTITUIÇÃO”:

Ao nos perguntamos se a prostituição é um mal necessário, os cristãos primitivos estavam necessitados de resposta à ordem e à sociabilidade da cidade, desta forma não podemos julgar ou afirmar que há um apoio de Agostinho e Tomas de Aquino à prostituição, mesmo que haja uma política de tolerância. (SILVA, 2016, p. 29)

           É a partir do segundo período, o qual nos deteremos melhor, que acontece uma mudança de reflexão e postura sobre a questão da prostituição, que tem a influência dos Redentoristas no magistério da Igreja e na sua postura pastoral. Por esse motivo destacamos duas personalidades, a saber, Januário Sarnelli e São Clemente, que, ainda hoje, possuem ressonância pastoral-prática nessa área.

        Eles desenvolveram novas reflexões e propostas evangélicas para orientar, cuidar, ou até resolucionar tal problemática, no século XVIII. Essas posturas que foram de relevante peso para o magistério da Igreja são inspiração para refletirmos e buscarmos caminhos novos diante da problemática atual da prostituição.

         Januário Maria Sarnelli (1702-1744) desde o seu sacerdócio “se preocupou com a infância abandonada, especialmente com as meninas pobres, vítimas da miséria e presa fácil da prostituição” (ALMEIDA, ?, p. 3). Tal intento apostólico se deu por observar na paróquia rural de São Francisco e Mateus, e, especificadamente, em Nápoles, a proliferação das prostitutas e dos bordeis, ou prostíbulos. Para ele, as causas desse aumento e problemática não se reduz a imoralidade pública:

Sarnelli não reduz a ela [- a imoralidade pública-] toda a problemática da prostituição nem enfoca o tema em termos exclusivamente religiosos ou moralizantes. Para ele toda esta proliferação de prostitutas tem a ver com a falta de proteção das meninas pobres que andam pelas ruas mendigando um pedaço de pão. E porque se entrelaçam elementos políticos econômicos e sociais, legais, religiosos, etc. (Ibidem, p. 14) (Acréscimo nosso)  

         As observações sarnelianas vão além da questão moral pessoal, isto é, também levam em consideração as circunstâncias contextuais, sociais, estruturais, econômicas e políticas, como parte do sistema cultural-social-napolitano da Itália. Sobre toda a estrutura que ele considera, salvo as exceções, como causas da prostituição das meninas de Nápoles: Ele chega a falar “de medidas contra a prostituição descarada e retificada. [...]. É evidente que o ponto de partida e o objetivo primordial da pastoral e dos escritos sarnelianos sobre a prostituição têm a ver com as meninas em perigo” (Ibidem, p. 10-11).

Toda via, sim, o título de excluída é válido para as meninas indefesas, aquelas que são o ponto de partida da preocupação de Sarnelli. Elas são excluídas de uma família, que por pobreza as abandonam; excluídas do bem-estar social e obrigadas a pedir esmola e venderem-se por um pedaço de pão; excluídas dos centros destinados a protege-las, porque os administradores dão os lugares àquelas moças que deles não necessitam; excluídas dos benefícios da pastoral e da solidariedade econômica eclesiástica. (Ibidem, p. 15)

           Além dessas vítimas há uma outra categoria de prostitutas que Sarnelli viu como problemática. Trata-se das prostitutas profissionais, as que vivem da prostituição e colaboram para mantê-la. “[...] é que se trata de um número imenso de mulheres escandalosas e que são elas encontradas por todos os cantos e a toda hora. Estão tão presentes que ocuparam toda a cidade: as praças, os bares, as ruelas e os átrios dos templos” (Ibidem, p. 12). Isso começou a afetar a vida social napolitana de tal modo e com tanta perversidade que até as relações sexuais não tinham espaço apropriado e nem condições humanas de qualidade. Para tentar soluciona o problema Sarnelli propôs reservar um lugar específico para elas, distante do centro da cidade, com condições mais apropriadas para tais atividades. Porém seu intento não era só de distanciamento da prostituição e condições menos desumanas para isso, mas de observação as próprias causas da prostituição: “Sarnelli propõe um registro da cada mulher (nome, estado civil, idade, condição) a fim de descobrir as causas pelas quais querem se prostituir e talvez se possa reverter a situação” (Ibidem, p. 20). Um assistencialismo espiritual do pároco e conselheiros, a prática dos exercícios espirituais e função profético-evangelizadoras das pregações, dentre outras coisas, são medidas pastorais motivadas por ele, para tentar solucionar o problema e não desamparar tais pessoas da possibilidade de conversão. Para as prostitutas que queriam mudar de vida era oferecido os conventos, os conservatórios, destinados a ajudá-las nas suas necessidades. Além disso tinha a proposta para as meninas em perigo:

[...]o primeiro é perguntar às meninas por sua família, seu povoado de origem, o motivo de flanar [, isto é, perambular nas ruas,] e ver se é possível devolvê-las a seu lar. Caso não possam retornar aos seus, que se crie uma casa de acolhida e se lhes ensine vários ofícios; assim ficará mais fácil de reintegrá-las socialmente. Onde esta possibilidade não se efetivar, leva-las a um conservatório ou recomendá-las a uma família honrada é [a] solução. (Ibidem, p. 26) (Acréscimo nosso)

        Apesar das limitações de cada contexto a postura de Januário Sarnelli se torna inovadora e profética para o seu tempo. Por se preocupar com a salvação das pessoas prostituídas e das meninas em risco, Sarnelli foi mal visto e desprezado por muitos. Segundo comenta Santo Afonso sobre os protestos de sua família: “aos parentes que protestavam contra tal atitude, ele dizia: ‘Se alguém perguntar se eu sou da família Sarnelli vou apresentar-me apenas com o nome Januário Maria. Assim a pessoa vai pensar que meu nome é Januário e o sobrenome Maria” (LIGÓRIO, 1753, p. 28, Trad. Port.), isto é, ele iria omitir o nome de sua família para que não sofressem as discriminações e maus falatórios de sua ação evangélica pastoral. Porém, as injurias, preconceitos e desprezos não o impediu de ser um sinal redentor frente as abandonadas de sua época e efetivar uma pastoral da benignidade, no século XVIII, para com essas pessoas. Eis algumas medidas que ele fazia para ajudar tais pessoas em perigo de prostituir-se e até em estado de prostituição:

Para ajudar às pobres mulheres perdidas a se sustentarem não guardava nada para si do que tinha em casa, chegando a se vestir como um maltrapilho em plena Nápoles. Sustentava a muitas delas com seu dinheiro, dando a cada uma certa soma mensal, a fim de que se abstivessem de vender sua honra e sua alma. Não se contentava em ajudar ás que a ele recorriam, mas percorria a cidade buscando algumas delas para salvá-las do pecado. Entre essas, 16 ele colocou num conservatório e a muitas outras deu dote para o casamento. De modo particular sustentou duas delas por dois anos e logo arranjou-lhes moradia, fornecendo os móveis e os utensílios do lar. E como os gastos eram grande e acima de seus rendimentos (...) recolhia esmolas em toda Nápoles, com tanta contrariedade ou repugnância que ele mesmo dizia morrer de pena de si próprio. (ALMEIDA, ?, p. 16)

           Sarnelli compreendia que a questão da prostituição estava acima das escolhas das mulheres, ou seja, que configurava parte da própria falta de assistência e responsabilidade dos ricos, líderes políticos e até religiosos de Nápoles. Por isso chegava a denunciá-los pela via moral, apelando para as suas “consciências”: “Saibam os ricos que por conta da pobreza [...] muitas prostitutas continuam nos lupanares porque não há quem as ajude a mudar de vida e que a virtude das pobres meninas se troca em um pedaço de pão” (Ibidem, p. 28). “Os santos do céu jubilosos cederiam em favor das meninas em perigo toda a prata, pedras preciosas, ouro e outras decorações que adornam suas igrejas e seus altares” (Ibidem, p. 27).

         Diante da realidade problemática da prostituição, o Tcheco São Clemente Maria Hofbauer (1751-1820) nos é útil no aspecto pastoral e no aprofundamento dessa temática. Ele, após se tornar Redentorista e ser ordenando, no dia 29 de março de 1785, é a principal personalidade que leva a Congregação para além dos Alpes, isto é para os países do Norte da Europa. Segundo o Redentorista Pe. Afonso Trenba comenta na sua obra São Clemente Maria Hofbauer: um missionário redentorista movido pela fé (2014) , São Clemente, recém ordenado, estando no território polonês, se depara com a dura realidade de Varsóvia, que estava sob o domínio da Prússia:

A Varsóvia da alta aristocracia, que se revolvia e remexia atrás do carro triunfal da revolução francesa, corroída nas orgias do rei Estanislau II pela depravação da sensualidade, a Varsóvia de então com seus palácios, com seus adultérios nos salões, com suas profanações do matrimonio por meio do dinheiro vil, não queria saber de Deus e nem do bem da pátria, contanto que se lhe fosse dado gozar e se divertir. (TRENBA, 2014, p. 23)

        Em Varsóvia, estando com o Missionário Redentorista Pe. Francisco Saverio Bressler, São Clemente começa a compreender a realidade da prostituição varsoviana com as chamadas “mulheres das estradas” (Ibidem, p. 36). Por meio de seu confrade Bressler, que já tinha um trabalho pastoral nessa área, ele constata que o problema da prostituição estava relacionado inicialmente com uma “má formação religiosa”. Diante de tal realidade eles desenvolvem, na comunidade São Beno, um projeto pastoral de aproximação:

Para as prostitutas profissionais oferece um retiro de dez dias onde nutre a esperança a fim de que redescubram o seu valor como pessoa humana e assim recuperadas em sua autoestima  tornem-se apostolas na conversão de suas colegas de profissão. Para as meninas ocasionais que não podiam participar dos exercícios espirituais proporciona espaço para a edificação pessoal por meio de leituras espirituais dirigidas e incentivando-as à participação na vida sacramental. Para o terceiro grupo o Pe Bressler percebe a necessidade de uma educação adequada e para tanto envia-as para o internato em São Beno a fim de serem formadas em prendas domésticas podendo desta forma ganhar a vida decentemente. (Ibidem.)

        Após a morte do Pe. Bresseler, São Clemente continua o apostolado frente a situação da prostituição em Varsóvia. Aprofundando-se diante das situações de prostituições, com espanto, “Clemente constatou que, em Varsóvia, muitas jovens de classe baixa desde cedo eram levadas e instruídas a prostituição” (Ibidem, p. 39). Na cidade “quase não havia rua sem bordel. As mulheres entregues à prostituição “trabalhavam” nisso, não pelo instinto de serem, mas, simplesmente, para conseguirem o necessário a subsistência” (Ibidem.). Além da causa da extrema pobreza como motivação para prostituição, Clemente observa que:

Essas criaturas, dignas de consideração, moviam-se num círculo vicioso. Já suas mães haviam sido condenadas a uma vida indigna de seres humanos. Mal sabiam que eram gente. As filhas também não gozavam de menor possibilidade de aprender algo que mais tarde lhes servisse de base à existência. (Ibidem.)

        Se a pobreza, a má formação cristã e humana, e a falta de habilidades profissional ou domésticas, eram algumas causas da prostituição, São clemente resolve quebras as cadeias de tais explorações por caminhos inovados. Assim ele cria uma “escola de trabalhos manuais para jovens desamparadas e em perigo” (Ibidem, p. 40). Tal intervenção social, apesar de não ser barrada pelas autoridades prussianas, era motivo de incomodo e preocupações para o governo sul prussiano, pois eles temiam:
[...]que as jovens damas de origem proletárias assim educadas esquecessem sua classe [pobre] e adotassem um estilo de vida cômodo. Os belos frutos saídos do instituto de Varsóvia era boa prova disso. Foi assim que o governo sul-prussiano resolveu, em 1806, acabar com a escola de trabalhos manuais. Nas razões apresentadas, dava-se a entender sutilmente que não convinha que uma “escola para moças estivesse sob controle de um convento de homens”. (Ibidem.)

          Deste modo é que em Varsóvia, São Clemente se depara com os obstáculos da reinserção social das meninas em perigos de prostituição e das mulheres prostitutas. Porém São Clemente não desiste no seu trabalho. Além dessas medidas, ele criou um orfanato, onde os meninos seria acolhidos e recebiam toda uma assistência para seguir a vida até a idade adulta. E as meninas em risco eram entregues aos cuidados das famílias amigas e de viúvas abastardas. O orfanato passou a acolher cerca de 40 a 60 crianças abandonadas. Apesar de que São Clemente era atento a todas as classes da Polónia, ele tinha uma práxis evangélica que o distingue no trabalho apostólico: “o seu amor pelas crianças, principalmente as órfãs e as em situação de risco” (Ibidem, p. 98).   Todavia, a postura pastoral de Clemente, como a do beato Sarnelli, não se restringe ao aspecto da conversão das almas desamparadas, isto é, mulheres em estado de prostituição e as que estavam em risco para tal estado. Ele compreendia que além de cobrar ao Estado sua responsabilidade para com tais situações, também era é preciso cobrar das famílias. Por isso que ele:

Abre colégios e escolas profissionalizantes a tempo integral, orfanatos para as vítimas das guerras e discriminadas e para as em situação de risco. Fala frequentemente aos pais sobre a sua responsabilidade no processo educacional de seus filhos: “Pais e mães; não vos esqueçais de que de vós depende, em boa parte, a benção ou a maldição da sociedade; depende de vós terdes ou não terdes uma boa geração no dia de amanhã; o que se semeia hoje no coração das crianças produzirá frutos na velhice; convencei-vos de que, se fizerdes o que depende de vós, Deus abençoará o vosso trabalho e fará o restante”. (Ibidem, p. 98)

          Diante desses dois redentoristas podemos observar que a questão da prostituição não se encerra na escolha moral das pessoas, mas também nas condições que influencia tal situação. Boa parte das vítimas desse sistema são pessoas que vivem com condições indignas de sobrevivência, direitos humanos e sociabilidade. Tais redentoristas tiveram a coragem de perceber que a estrutura sociocultural de suas localidades tinham um grande contributo de responsabilidade pelo problema da prostituição. A questão não era “tolerar” e muito menos fechar os olhos para tal situação, mas proporcionar caminhos e soluções para tais problemas sociais desumanizantes. O caminho não era a condenação, mas a possibilidade de conversão para uma vida digna conforme os bons desígnios de Deus. A proposta deles foram caminhos de redenção que propiciaram a salvação de muitas pessoas em estado de risco de perderem a sua dignidade e vida.

         Se no século XVIII a situação da prostituição era difícil, na Contemporaneidade ela assume nova roupagem e complexidade. Por isso, vamos traças algumas pontuações que esclarecem as causas, os problemas dessa realidade. E algumas orientações da Igreja e pastorais para lidar com tais desafios, de acordo com algumas luzes dos documentos da Igreja.

        A Modernidade do século XXI é marcada por uma onda de erotismo a ponto de tal época Contemporânea ser definida como “sociedade erotizada”, onde a beleza, a estética e a sensualidade se impõe socialmente como regra de vida pública. Tal característica pode contrariar os valores humanos e a natureza de sua sexualidade, quando ela contradiz e viola a dignidade da pessoa humana e seu significado sagrado e natural ontológico: ser imagem de Deus. Ora, especificadamente, no campo da prostituição, ligado ao campo da pornografia e da violência social, encontramos os sinais das deturpações da sexualidade humana, onde esta é utilizada como “meio” para fins lucrativos antiéticos. É neste sentido que o bem natural do ser sexual humano se torna instrumento de manipulação da prostituição, na disseminação e manutenção da mesma pelos diversos meios de comunicação. Neste percurso, segundo a Campanha de Fraternidade, o tráfico sexual humano é um desses males que utiliza:

[...] como mercadorias o corpo, a sexualidade, a força de trabalho e até órgãos de pessoas, atentando contra a sua dignidade. No entanto, corpo, sexualidade e pessoa formam um todo que não pode ser utilizado como meio para alcançar fins contrários à sua dignidade. O corpo e o sexo não são produtos, objetos de compra e venda, ou meros instrumentos de trabalho e prazer. (CF, 2014, p.61)  

             Segundo o Documento da CNBB sobre a Prostituição: desafio à sociedade e à igreja, afirma: “a prostituição fere a dignidade da pessoa humana e lesa os seus direitos e valores fundamentais” (CNBB, 1976, p. 11). Ela é “consequência de uma sociedade omissa, cujas estruturas deixam acontecer a miséria e a servidão” (Ibidem, p.8). Se na História humana a prostituição foi considerada como um “mal menor”, porém,

[...] este “mal” não protege a família; antes, leva à corrupção dos costumes, à promiscuidade, à infidelidade e a escravidão da mulher. Como também não preserva a juventude, porque favorece o desencaminhamento de jovens, dissemina doenças, incentiva vícios, favorece a exploração do lenocínio o tráfico de tóxicos. (Ibidem, p.9)

       Para Igreja há uma distinção muito clara entre a prostituição e a pessoa em estado de prostituição. No primeiro caso o Concílio Vaticano II chega a afirmar que “‘[...] a prostituição, o mercado de mulheres e de jovens, ou ainda as ignominiosas condições de trabalho, [...]’ são ‘infames’, ‘prejudicam a civilização humana, desonram aqueles que assim se comportam’” (CF, 2014, p. 11-12), e que a “prostituição é uma forma de escravidão, portanto uma injustiça, da qual a sociedade toda é responsável” (CNBB, 1976, p. 27).  Todavia, em relação a pessoa em estado de prostituição: “[...] as prostitutas são “pessoas” e não “coisa”; que se deve pleitear, junto ás autoridades justas em favor delas; que a absoluta maioria das prostitutas são mais vítimas que culpadas” (Ibidem.); “são gente como nós, como nossos parentes, amigos e amigas” (Ibidem.). Neste sentido é que podemos afirmar que “a Igreja condena o mal, mas não condenam as pessoas envolvidas, para as quais ‘estendem a mão’ a fim de ajuda-las a ‘se levantarem’” (Ibidem, p.33).

          No Brasil, a prostituição atinge casos complexos e variados, porém, além da irresponsabilidade e descaso do Estado e do Governo vigente para com esse problema, há outras causas da prostituição como por exemplo:

[...] a injustiça social; o “machismo”; a dupla moral; a miséria; a falta de instrução; a ausência da família; a carência afetiva; os tabus e os preconceitos; a inobservância dos artigos do Código Penal que condenam o lenocínio e o tráfico de mulheres; a propaganda do sexo pelos meios de comunicação; a impune e inescrupulosa exploração de mulheres para fins de lucro. (Ibidem, p. 20)
            É diante dessa situação que se criou pastorais em favor das prostitutas, como o “Ninho”, que pleiteiam a reinserção social das vítimas da prostituição; o “Movimento de Promoção da Mulher” e a Pastoral da “Mulher Só e Desamparada” que ajudam de diversas formas na conscientização da sociedade e das mulheres em estado de prostituição. Todo o trabalho pastoral deve levar em conta as forças externas que forçam tal mal.
[...] o trabalho que se realiza em favor das prostitutas não pode limitar-se a uma simples prestação de serviços gratuitos. [...] É necessário convencer-se de que as vítimas da prostituição não podem ser ajudadas de um ponto de vista “moralizante”, mesmo porque a “santidade” delas se rege por outros cânones, que não os comuns. (Ibidem, p. 31) 

            No decorrer da História tivemos várias situações e posturas em relação a prostituição, porém duas posturas histórias se apresentaram socialmente marcantes, a saber, a) o regulamentarismo da prostituição, desde a Idade Média. Um período de destaque, para nós, é o século XIX, quando Napoleão realizou medidas intervencionistas para regulamentar a prostituição. A medida tinha a pretensão de parar com a desmoralização pública da prostituição e diminuir os riscos do perigo venéreo (doenças sexualmente transmissíveis) com o sistema de saúdes às prostitutas. A regulamentação passou a ser um ato de fé: As consequências “foram funestas por toda a parte: criou-se, na mentalidade masculina, a confiança de que as casas ofereceriam segurança sanitária e todas as facilidades, dando ao vício um caráter de legítimo direito oficializado pelo Estado” (Ibidem, p.65). Tal medida criou cúmplices de toda ordem, como os policiais, traficantes de mulheres e de drogas. As mulheres eram tratadas como objetos, enquanto os proxenetas (explorador e pasticipante da atividade de prostituição) e clientes não sofriam nenhuma repreensão e punição, mas tinham liberdade exploratória.

            Por sua vez, o b) proibicionismo da prostituição se apresentou em alguns períodos históricos, porém, muitas vezes ficou fadado ao fracasso, porque enquanto se quis proibir a prostituição, não se atentou para as causas sócio-culturais-econômicas determinantes. Além disso tal medida de proibição não atingiu profeticamente a todos os agentes promotores e mantenedores da prostituição como os clientes e proxenetas, dentre outros. Encontramos exceções dessa medida ou corrente contra a prostituição em trinta países. Entre estes estão os países em que o nível de vida dos cidadãos é muito elevado, como certos Estados norteamericanos, os países nórdicos da Europa, além dos países de regime comunista” (Ibidem, p.74). Apesar do bom êxito dessa medida contra a prostituição em alguns países, ela só terá pleno êxito quando as raízes profundas da prostituição forem superadas.   Todavia no Brasil tal medida não concorda com a sua conjuntura nacional.

       Entre essas duas posições existe uma terceira medida ou corrente de trabalho contra a prostituição e a favor dos direitos humanos, a saber, o abolicionismo:

Revendo a posição das três correntes: a regulamentarista, que confina e institucionaliza o exercício da prostituição, a do proibicionismo que proíbe e pune, e a do abolicionismo que luta contra o lenocínio e o tráfico de mulheres; concluiu-se que o abolicionismo é a corrente que se apresenta com maiores possibilidades de combate à exploração da pessoa humana. (Ibidem, p. 79-80)   

        Aposição abolicionista intenta “agir sobre as causas morais, sociais e econômicas da prostituição, lutar contra o proxenetismo e toda regulamentação que favoreça sua atividade” (Ibidem, p. 49). Suas raízes histórias estão na Inglaterra, onde foram organizada as primeiras campanhas abolicionistas, na personalidade de Liverpool, Josephine Butler, que realizou os primeiros protestos contra o sistema opressor, discriminatório e desumano inglês, que tentou institucionalizar e regulamentar a prostituição. “O objetivo inicial [...] foi o de lembrar que nada justifica o tratamento dado às prostitutas, tirando-lhes os direitos devidos a toda pessoa humana e colocando-as sob um estatuto discriminatório” (Ibidem, p.58). “Lutaram para que se admitisse serem elas muito mais vítimas de circunstâncias e pressões, do que pecadoras ou viciadas” (Ibidem.).

             Essa postura abolicionista está de acordo com a legislação vigente no Brasil, “expressa no Código Penal, e com a Convenção Internacional para a repressão do Tráfico de Pessoas e do Lenocínio, firmada pelo Brasil em outubro de 1951 e aprovada pelo Congresso Nacional em junho de 1958” (Ibidem, p. 80).  As obrigações legislativas do Brasil estabelece pena de reclusão aos que induzem ou atraem alguém à prostituição, assim como os que mantem casas de prostituição e participam de seu lucro. Todavia, a realidade brasileira apresenta uma total contradição com esses acordos legislativos. Diante disso a Igreja e os grupos pastorais abolicionistas “não podem deixar de denunciar, sob pena de infidelidade ao Evangelho, o evidente desrespeito aos Direitos Humanos, nas casas dessas zonas, onde as mulheres” (Ibidem, p. 80) e homens são subtraídos do direito comum, colocados sob o poder discricionário de gerentes, proxenetas e da polícia, explorados como objetos de comércio, vítimas de maus tratos e violências, lesados em suas necessidades básicas. Por fim, apresentamos aqui que:

A luta contra a prostituição só poderá ser eficaz quando dirigida contra as causas socioeconômicas, culturais, psicológicas que favorecem a prostituição e sua exploração; e recomenda aos Poderes Públicos dos Estados que esta ação se concretize: 1º) pela luta contra o subemprego e desemprego, e as desigualdades sociais e econômicas; 2º) por uma igualdade de tratamento dos homens e das mulheres em todos os campos; 3º) por uma política social em prol das pessoas sós, desamparadas ou em dificuldades, a fim de evitar que não encontrem outra solução que se prostituir; 4º) por uma ajuda largamente dispensada às Instituições que oferecem apoio às pessoas desejosas de sair da prostituição, e lhes oferecem os meios necessários para o seu desenvolvimento pessoal. (Ibidem, p.104)